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O homem no topo da montanha.

       A muito tempo havia um homem que morava em uma pequena vila no meio da floresta, ele odiava aquele lugar, sonhava todo dia em se mudar para a grande capital, ele acreditava que alguém como ele não merecia viver em um lugar como aquele.      Na tentativa de encontrar um caminho até a capital ele se deparou com a maior montanha da região, ele pensou que caso conseguisse subi-la teria uma boa visão da região e poderia chegar na capital.      Com isso em mente o homem tentou e tentou, apesar de seus esforços serem em vão, ele continuou a tentar, ele passava todos os dias tentando escalar a montanha, os dias se tornaram meses e os meses, anos. Com o tempo, os seus amigos se afastaram, a garota que amava se casou com outro e seus pais faleceram, mesmo assim ele nunca parou de subir, ele pensava que todos esses problemas eram ridículos comparados a magnitude da vida que ele iria ter.      Em um dia ensolarado o homem finalmente havia completado o seu desejo, ele havia escalado o

O preço da fome.

       Havia certo homem cujo a ganância superava a de qualquer dragão, ele nasceu em uma pequena vila, no meio da floresta. Todos os habitantes daquele lugar vivam vidas simples e mesmo com pouco eram felizes.      Conforme o pequeno homem crescia, ele foi desenvolvendo nojo por aquele estilo de vida, ele via os poucos mercadores que visitavam sua morada e cada vez mais, ele deseja aquela vida, cheia de riquezas e bens em abundância.      Ao atingir a maioridade o homem deixou para trás suas tradições e sua história e seguiu rumo a sua ambição. O maior império mercante, foi o que ele construiu, ele possuía riquezas de dar inveja a qualquer nobre, mas isso não era suficiente, ele já havia extraído toda madeira dos bosques próximos, todo minério das montanhas ao Sul e toda água dos outrora verdejantes pântanos a Oeste, mas isso, não era suficiente. Seu desejo insaciável o trouxe de volta para casa.      Ao cortar as árvores que costumava brincar em sua infância, nada sentiu, além

A carta do Futuro.

Olá antepassado!               Eu gostaria de trazer notícias de prosperidade e harmonia, mas trago o contrário, pois tais coisas não existem mais. Eu sei que é estranho, mas você precisa acreditar em mim. Nós somos tudo que sobrou da humanidade, não que antes fosse melhor, mas somos o que restou. Não temos água, nem comida, é só uma questão de tempo. Eu escrevo essa carta, não para que você aja e impeça o fim, mas para que você saiba e se prepare pois ele é inevitável, não existe nada que você possa fazer para evita-lo, na verdade, não sei se alguém conseguiria, o tempo para mudança já passou, agora tudo que pode fazer é esperar e se prepara pelo fim. Eu gostaria de informar a data do ano que estamos, mas assim como as memórias do passado isso não passa de poeira varrida para baixo do tapete, era tão irrelevante que deixamos de nos importar a muito tempo atrás. Agora eu me despeço, pois a noite caí e eu estou cansado, tudo que você precisa saber é que o fim está próximo,

A imensidão do vazio.

Eu estava correndo atrás da minha bola de futebol quando ouvi um barulho bem alto, seguido de um grito e de repente tudo escureceu, mas logo em seguida minha visão foi recheada por uma luz cegante, da luz emergiu um homem, eu nunca tinha visto ele antes, mas não fiquei com medo. - Olá. – Ele disse em um tom suave. - A minha mãe me disse para não conversar com estranhos. – Falei enquanto andava para trás, apreensivo. - Não se preocupe pequenino, estou aqui para ajudá-lo, não irei fazer-te nenhum mal. – Ele disse enquanto se aproximava. - Onde... Onde eu estou? - Em Todo lugar e em lugar algum ao mesmo tempo. - Eu estou com medo, eu quero a minha mãe. – Falei enquanto as lágrimas escorriam. O homem se aproximou de mim, se abaixou em minha altura e tocou em meu ombro, seu toque era aconchegante, assim como o de minha mãe. - Eu receio que isso não seja possível pequenino. As suas palavras acalmaram meu coração, eu não sentia mais medo. - Diga-me, qual era a sua brincade

O vagante

Eu estava na taverna bebendo com meus amigos, assim como faço todos os domingos. - Já deu minha hora. – Disse. – Uma boa noite para quem fica. - Mas já? – Indagou Pedro, um de meus amigos. - Deixe de ser maricas, a noite mal começou! – Retrucou Adão, outro grande amigo meu. - Não ouviram as histórias? – Perguntei. – O vagante anda pelas redondezas, eu estou de partida, e vocês deveriam fazer o mesmo. - Vagante, acreditas nessas histórias de crianças? – Adão Retrucou. - Claro que acredito, e se fossem sábios acreditariam também. - Espera, vagante? Que história é essa? – Pedro me perguntou enquanto dava mais um gole de sua caneca. - O que eu ouvi de todas as histórias que me contaram, é que o vagante é um espirito amaldiçoado, ele vaga sem rumo, trazendo uma densa névoa consigo... - Só isso? -   Interrompeu Pedro num soluço. – Esperava mais. - Calma lá focinho de porco, eu ainda não terminei. Onde eu estava? - Na parte da névoa densa. - Ah sim, isso mesmo. Ele vem

O lamento da vida sem fim.

            Quanto tempo faz? Séculos? Ou talvez tenham sido milénios? Eu não consigo me lembrar, não me lembro dos seus rostos ou nomes, mas eu lembro de pessoas, pessoas que eram importantes para mim, então por quê? Por que eu não consigo me lembrar?          Hoje aconteceu aquilo que eu mais temia, esqueci do meu próprio nome, eu já estava com dificuldades de lembrar, mas hoje ele sumiu de vez, por mais que eu pense, não consigo me lembrar... Eu lembro vagamente de um calor, um calor no peito, mas eu não sei mais o que isso significa, só sei que quando penso sobre isso, meu peito doí e meus olhos se enchem. Eu não como a três dias, ou seriam três anos? Não importa, nada mais importa, eu só quero dormir novamente e torcer para que dessa vez eu não acorde. Me pergunto como está aquela cidade de outrora, como não consigo mais dormir, prestarei uma visita a eles. A cidade mudou bastante desde a última vez, tudo está em pedaços, as casas estão destruídas, os muros derrubados, e e

O Lago das origens

            Uma história tão velha quanto o tempo conta sobre um lago, um lago mais velho que o primeiro ser e tão grande quanto o reino dos homens, estou falando do Lago das origens.             Alguns dizem que todos viemos do lago, que ele é uma criação divina similar ao ventre de uma mulher, que nutre e cria a vida. A quem diga que o lago é personificação dos Deuses na terra, um lugar sagrado que nenhum homem pode macular, a também quem pense que o lago é apenas um lago demasiadamente grande.             Dentre Deuses e peixes, a quem ouse se aventurar pelas águas do lago, três dias e três noites é o tempo necessário para conseguir cruzar sua imensidão. Dos poucos que se arriscaram, menos ainda tem êxito. Dizem que aqueles que conseguiram vencer o lago mudaram completamente, talvez seja por ter de remar um pequeno por três dias e três noites, ou talvez seja algo maior, uma revelação divina sobre o cosmos, sobre a existência, talvez tenham descoberto o sentido da vida, o