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Pela vida que me foi dada.

Eu nunca tive nada: nem família, nem amigos, nem mesmo um nome; não tinha, ao menos, um deus para orar. Não sabia ler ou escrever. As palavras que eu conhecia eram poucas, enquanto os calos nas mãos eram muitos. Tudo que eu sabia fazer era servir. Eu servia aos que se chamavam de “meus mestres”. Eu servia porque a única coisa que eu conhecia era a dor, e eu a detestava. Recuso-me a chamar aquilo de viver, por isso, digo que existi naquelas condições por muito tempo.   Tempo demais. Não sei ao certo quantos anos, afinal, eu não sabia contar. O dia em que eu nasci foi o dia em que as correntes foram partidas. O exército de Ogrimar estava atacando a cidade onde eu estava. A guarda da cidade nem se comparava ao poderio militar de Ogrimar. Em pouco tempo, a cidade era deles. Meus “mestres” se escondiam no celeiro, onde eu dormia. Eles me ordenaram que os defendesse. Eu não sabia o que estava havendo, também não sabia o que era o tal exército, mas eu sabia bem o que ele...

A dama do lago.

No passado não tão distante, havia uma moça, ela era linda e formosa, e arrebatava corações por onde passava. Ela vivia na cidade de Lakelyn, ninguém sabe ao certo em que parte da cidade. Muitos viajantes e aventureiros apaixonavam-se por sua beleza, a moça, por sua vez, adorava a companhia de tais pessoas, ela era sempre vista saindo da cidade com esse tipo de gente e, voltava dias depois, sozinha. Em um dia de sol, uma caravana chegou à cidade, nela, havia um homem nobre de uma cidade distante, ele dizia estar em busca de seu filho, que havia ido a lakelyn, mas não havia retornado. Os olhos da cidade se voltaram para a bela moça, sua fama foi a sua desgraça. Após ouvir os boatos, o homem nobre ordenou que seus homens fossem atrás da moça, quando chegaram até ela a noite estava fria e, a luz da lua brilhava como nunca. Eles a arrastaram para a beirada do lago que existe até hoje e serve como subsistência para o povo daquela pequena cidade. Lá uma interrogação foi fei...

A vida de um canário.

Desde que me lembro, eu estou preso nessa gaiola, eu sou um canário sabe, tudo que eu faço é pular de um lado para o outro o dia inteiro. Quando colocam minha gaiola no sol e eu sinto o calor e vento em minhas penas, não consigo evitar cantar, pois a felicidade que eu sinto é tamanha que se compara ao calor do sol. Ultimamente eles não têm me colocado para fora, parece que está havendo um surto de uma doença ou algo assim. Devo dizer que nunca vi os humanos tão eufóricos quanto agora. Por causa dessa doença, eles não podem sair de casa, faz pouco mais de um mês que eles estão dessa forma. Acredito que nunca os vi a beira de um colapso como agora, tudo que eles fazem é reclamar o dia inteiro sobre não poder sair de casa, eu mal consigo cantar sem ser interrompido. Eu passei a minha vida inteira preso e ninguém nunca me ouviu reclamar, muito pelo contrário, eu sempre fui grato por poder sentir o sol e o vento em minhas penas, mas essas pessoas só reclamam sem parar, eu ...

O diário de Meinan - Capítulo I

Dia 1 Partirei da Academia de Artes Mágicas de Altarruna amanhã. Devo muito a academia, porém, ela não me é mais útil, já aprendi tudo que esse lugar tinha para me ensinar. Não posso dizer que sentirei saudades de seus professores e alunos medíocres. Provavelmente partirei em busca dos acontecimentos da guerra civil que culminaram na destruição do antigo reino de Merivel. Acredito que esse é um bom ponto de partida. Pelo o que descobri, a ordem das presas de Marfim parece ser o primeiro passo a se tomar. Eles não passam de velhos guardando e escondendo livros empoeirados em estantes, eles querem manter todo aquele conhecimento para eles, não posso permitir isso. Nota: Conseguir acesso ao acervo das Presas de Marfim Dia 7 Cheguei em Agabad a pouco tempo, a cidade foi construída na encosta de uma montanha, isso lhe dá um certo charme à primeira vista, porém, afirmo que esse lugar é deplorável. Até mesmo um cego consegue enxergar a podridão dessa cidade, pessoas...

O caminho sem volta.

Eu sou o governante de Dood, uma cidadezinha entre enormes montanhas, se quiser chegar à capital dourada, terá de passar por nós antes. A cidade nunca para, seja dia, seja noite, sempre há gente, em todos os lugares. Visitantes pensam que a cidade é cheia de vida, é alegre, mas eu sei bem a verdade. Os visitantes lotam nossos bares e bordeis, se embriagam com nossa cerveja e sufocam-se nos bustos de nossas mulheres, enquanto o nosso povo sorri, agradece e os guia pela cidade. Os visitantes que seguem por esse caminho sentem-se como reis, se ao menos eles soubessem... O charme da nossa cidade cativa a grande parte dos que pisam dentro de nossos muros, alguns poderiam dizer que é algum tipo de magia, aqueles que pensam dessa forma não sabem de nada. Todos aqueles que veem até nós não sabe o que lhes espera, afinal, se soubessem, muitos não viriam. Se querem saber a verdade, eu vos digo. Não confiem nos sorrisos dessa cidade ou no braço que lhe estende a mão, nada é verdad...

A última parada.

Meu primeiro emprego foi como cobrador de ônibus. Meu pai já trabalhava na empresa e acabou me conseguindo esse emprego. No começo era péssimo, minha bunda ficava dormente devido as longas horas sentado na mesma posição, o calor era infernal, e a quantidade de pessoas, bem, isso nem se fala, tinha tanta gente nos horários de pico que nem sequer uma única barata conseguia se mexer com liberdade. Com o tempo fui me acostumando com a sensação de não sentir o próprio traseiro, com o calor do inferno e até mesmo com o rebanho de pessoas indo para o abate. Na minha vida como cobrador, eu vi muitas coisas. Muitas coisas perturbadoras e terríveis. O assédio que vi várias mulheres e até mesmo alguns homens sofrendo enquanto todos só observavam e aceitavam, sem coragem, sem força para impedir, assim como eu também não tinha. Vi egoísmo vindo de pessoas que preferiam fingir demência ou sono ao ver um idoso, um deficiente ou gestante entrar no ônibus. Eu via a tristeza no rosto de cada uma...

Destinatário ausente.

Olá Roberto, como você deve ter visto, é seu velho pai que está lhe mandando esta carta. Você deve estar surpreso de receber uma carta minha, eu consigo até imaginar a expressão que fez ao carteiro quando percebeu que a carta era minha, peço desculpas por isso. Eu sei que não nos falamos em muito tempo e eu me desculpo por isso também, eu não deveria ter deixado a situação chegar a esse ponto, por isso me desculpe. Você deve estar pensando no motivo da carta, eu liguei algumas vezes para o número de sua casa, deixei alguns recados, mas acredito que você não deve tê-los ouvido, eu poderia mandar um e-mail, mas eu não sei como essas coisas funcionam. Eu ligaria para a Sara ou para o pequeno Julius, mas não sei o número deles, por falar neles, dê um abraço neles por mim, não vejo meus pequeninos em muito tempo, aposto que já estão dois palmos maiores que eu. Bem, chega de enrolação, serei direto, meus dias nessa terra estão contados, não preciso de um médico para me dizer isso, eu apenas...