Postagens

A acompanhante silenciosa.

            Quando as pessoas olham para mim elas sentem pena, elas olham para mim e veem não uma pessoa, mas uma coisa. Sempre foi assim, desde pequeno nada mudou.             Conforme eu crescia aprendi que essa é a natureza humana, eles se afastam do que é diferente, evitam o que lhes causa desconforto, eles julgam pela aparência e não se dão ao trabalho de conhecer aqueles que não os agradam à primeira vista. Mas tudo bem, eu não me importo.             Eu poderia chegar e dizer que a minha vida foi solitária e triste, que eu nunca tive ninguém para conversar, mas isso seria mentira. Eu sempre tive alguém que nunca saiu do meu lado, alguém que nunca me abandonou e que continua comigo até hoje. Minha sombra é a melhor companheira que eu poderia pedir.           ...

As paredes da liberdade.

            É engraçado como as coisas acontecem. Eu lembro da época em que eu me achava invencível, inalcançável, achava-me um Deus dentre os mortais. Quando penso no antigo “eu”, só consigo rir da minha estupidez.             Nunca passou pela minha cabeça que eu ficaria confinado em uma gaiola de pedras, e mesmo assim aqui estou, preso em um cubículo, sem sequer poder enxergar o sol.             Eu machuquei muitas pessoas e fiz muitas coisas ruins, bem mais do que gostaria. O lugar onde estou foi moldado pelo meu “eu” do passado. Os crimes que eu cometi ergueram essas paredes e me jogaram aqui dentro.             No começo essa cela roubava meu ar. Ela fazia minhas mãos tremerem e meu rosto soar, assim como eu fiz com várias pessoas.   ...

Pela vida que me foi dada.

Eu nunca tive nada: nem família, nem amigos, nem mesmo um nome; não tinha, ao menos, um deus para orar. Não sabia ler ou escrever. As palavras que eu conhecia eram poucas, enquanto os calos nas mãos eram muitos. Tudo que eu sabia fazer era servir. Eu servia aos que se chamavam de “meus mestres”. Eu servia porque a única coisa que eu conhecia era a dor, e eu a detestava. Recuso-me a chamar aquilo de viver, por isso, digo que existi naquelas condições por muito tempo.   Tempo demais. Não sei ao certo quantos anos, afinal, eu não sabia contar. O dia em que eu nasci foi o dia em que as correntes foram partidas. O exército de Ogrimar estava atacando a cidade onde eu estava. A guarda da cidade nem se comparava ao poderio militar de Ogrimar. Em pouco tempo, a cidade era deles. Meus “mestres” se escondiam no celeiro, onde eu dormia. Eles me ordenaram que os defendesse. Eu não sabia o que estava havendo, também não sabia o que era o tal exército, mas eu sabia bem o que ele...

A dama do lago.

No passado não tão distante, havia uma moça, ela era linda e formosa, e arrebatava corações por onde passava. Ela vivia na cidade de Lakelyn, ninguém sabe ao certo em que parte da cidade. Muitos viajantes e aventureiros apaixonavam-se por sua beleza, a moça, por sua vez, adorava a companhia de tais pessoas, ela era sempre vista saindo da cidade com esse tipo de gente e, voltava dias depois, sozinha. Em um dia de sol, uma caravana chegou à cidade, nela, havia um homem nobre de uma cidade distante, ele dizia estar em busca de seu filho, que havia ido a lakelyn, mas não havia retornado. Os olhos da cidade se voltaram para a bela moça, sua fama foi a sua desgraça. Após ouvir os boatos, o homem nobre ordenou que seus homens fossem atrás da moça, quando chegaram até ela a noite estava fria e, a luz da lua brilhava como nunca. Eles a arrastaram para a beirada do lago que existe até hoje e serve como subsistência para o povo daquela pequena cidade. Lá uma interrogação foi fei...

A vida de um canário.

Desde que me lembro, eu estou preso nessa gaiola, eu sou um canário sabe, tudo que eu faço é pular de um lado para o outro o dia inteiro. Quando colocam minha gaiola no sol e eu sinto o calor e vento em minhas penas, não consigo evitar cantar, pois a felicidade que eu sinto é tamanha que se compara ao calor do sol. Ultimamente eles não têm me colocado para fora, parece que está havendo um surto de uma doença ou algo assim. Devo dizer que nunca vi os humanos tão eufóricos quanto agora. Por causa dessa doença, eles não podem sair de casa, faz pouco mais de um mês que eles estão dessa forma. Acredito que nunca os vi a beira de um colapso como agora, tudo que eles fazem é reclamar o dia inteiro sobre não poder sair de casa, eu mal consigo cantar sem ser interrompido. Eu passei a minha vida inteira preso e ninguém nunca me ouviu reclamar, muito pelo contrário, eu sempre fui grato por poder sentir o sol e o vento em minhas penas, mas essas pessoas só reclamam sem parar, eu ...

O diário de Meinan - Capítulo I

Dia 1 Partirei da Academia de Artes Mágicas de Altarruna amanhã. Devo muito a academia, porém, ela não me é mais útil, já aprendi tudo que esse lugar tinha para me ensinar. Não posso dizer que sentirei saudades de seus professores e alunos medíocres. Provavelmente partirei em busca dos acontecimentos da guerra civil que culminaram na destruição do antigo reino de Merivel. Acredito que esse é um bom ponto de partida. Pelo o que descobri, a ordem das presas de Marfim parece ser o primeiro passo a se tomar. Eles não passam de velhos guardando e escondendo livros empoeirados em estantes, eles querem manter todo aquele conhecimento para eles, não posso permitir isso. Nota: Conseguir acesso ao acervo das Presas de Marfim Dia 7 Cheguei em Agabad a pouco tempo, a cidade foi construída na encosta de uma montanha, isso lhe dá um certo charme à primeira vista, porém, afirmo que esse lugar é deplorável. Até mesmo um cego consegue enxergar a podridão dessa cidade, pessoas...

O caminho sem volta.

Eu sou o governante de Dood, uma cidadezinha entre enormes montanhas, se quiser chegar à capital dourada, terá de passar por nós antes. A cidade nunca para, seja dia, seja noite, sempre há gente, em todos os lugares. Visitantes pensam que a cidade é cheia de vida, é alegre, mas eu sei bem a verdade. Os visitantes lotam nossos bares e bordeis, se embriagam com nossa cerveja e sufocam-se nos bustos de nossas mulheres, enquanto o nosso povo sorri, agradece e os guia pela cidade. Os visitantes que seguem por esse caminho sentem-se como reis, se ao menos eles soubessem... O charme da nossa cidade cativa a grande parte dos que pisam dentro de nossos muros, alguns poderiam dizer que é algum tipo de magia, aqueles que pensam dessa forma não sabem de nada. Todos aqueles que veem até nós não sabe o que lhes espera, afinal, se soubessem, muitos não viriam. Se querem saber a verdade, eu vos digo. Não confiem nos sorrisos dessa cidade ou no braço que lhe estende a mão, nada é verdad...